Ressecamento vaginal na menopausa: o que é e como combater

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Com a aproximação da menopausa e após essa fase, é muito comum que a mulher sofra com o ressecamento vaginal. A redução da lubrificação pode ter várias causas e atrapalhar em muito a vida sexual da mulher e a relação com o seu parceiro. Durante o sexo, a secura vaginal pode até mesmo ser comparada a dificuldade de ereção do homem.

Apesar disso, mais de 90% das mulheres com ressecamento vaginal não buscam a solução para o problema, seja por vergonha ou por medo da reação do marido e do ginecologista.

Mas a verdade é que o ressecamento vaginal é muito comum e pode ser combatido de diversas formas. Quer descobrir o que é o ressecamento vaginal e como afastar de vez esse problema da sua vida? É só conferir o nosso post!

O que é o ressecamento vaginal?

O ressecamento vaginal, também conhecido como vaginite atrófica, é definido como a falta de lubrificação da vagina antes e durante o ato sexual, o que prejudica a relação do casal, reduzindo a sensação de prazer da mulher e aumentando a chance de ela sentir dores durante a penetração.

Um muco transparente que envolve o canal vaginal, além de ser um sinal de excitação da mulher, também ajuda a proteger a vagina. O que acontece é que o muco faz com que o órgão genital mantenha sua textura macia e sua elasticidade, o que facilita a penetração e a torna mais prazerosa.

O ressecamento torna a vagina mais propensa a coceiras e à queimação, podendo tornar a relação sexual dolorosa para a mulher e desconfortável para o homem. Com a parede vaginal desprotegida, o atrito com o pênis pode provocar até pequenas lesões e sangramentos.

E, com a expectativa de vida cada vez maior, não dá para a mulher parar sua vida ou deixar de viver bem só porque chegou à menopausa, não é mesmo? Além disso, nada de perpetuar tabus: mulheres depois dos 50 fazem sexo, sim!

Quais as consequências da secura vaginal?

Como o muco protege o órgão genital feminino, a falta de lubrificação pode causar:

  • Dificuldades para urinar;
  • infecções;
  • coceiras;
  • lesões e sangramentos;
  • ardor e queimação vaginal.

Todas essas consequências se tornam mais evidentes durante e após as relações sexuais, uma vez que a penetração pode agravá-las. O contato repetitivo do pênis com a vagina sem lubrificação pode deixá-la ainda mais sensível.

Além disso, se a vagina está ressecada, a relação sexual deixa de ser prazerosa e faz com que, muitas vezes, a mulher evite esse momento ou sofra durante a relação. Tudo isso acaba desgastando a relação do casal e até colocando em risco a estabilidade do casamento, por exemplo.

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O que causa o ressecamento vaginal?

Existe uma série de fatores que podem causar o ressecamento vaginal. Um dos principais deles é a falta ou a alteração do desejo sexual.

A falta de libido ou de desejo e vontade de ter a relação pode prejudicar — e muito — a lubrificação vaginal. Assim, o estresse, a preocupação com os filhos e com o trabalho e até mesmo o medo da relação ser dolorosa já pode contribuir para esse efeito.

Mas alguns vícios, como uso excessivo de álcool e tabagismo também contribuem para o ressecamento. Além de gravidez, aleitamento e uso de antidepressivos.

No entanto, muitas mulheres relatam que mesmo mantendo a libido, sofrem com o ressecamento vaginal. Nesses casos, as alterações hormonais costumam ser as culpadas pelo problema, principalmente as alterações provocadas pela menopausa.

Nesse período da vida, que começa por volta dos 45 anos, há mudanças hormonais bruscas no corpo da mulher. Há picos de alta quantidade de baixa produção de hormônios em circulação.

A consequência disso é uma série de sintomas com os quais as mulheres têm que conseguir lidar para manter a qualidade de vida mesmo na menopausa.

Como a menopausa causa a falta de lubrificação feminina?

A flutuação e a queda de hormônios na menopausa provoca a chamada atrofia urogenital, na qual o tecido que reveste a parede vaginal fica mais fina, menos elástica e menos lubrificada. Além da dor durante o ato sexual, essas mudanças também aumentam o risco de lesões, coceira, queimação e até infecções.

O que acontece durante a menopausa, que contribui para o ressecamento vaginal, é uma queda de folículos ovarianos. Essa queda, junto com as alterações hormonais, reduz a capacidade de ovulação, sendo que ela pode nem ocorrer por alguns meses. É por isso também que a mulher começa a perder a fertilidade durante a menopausa.

Toda essa irregularidade é responsável pelos sintomas típicos da menopausa, dentre eles, o ressecamento vaginal, calores excessivos e irregularidade no ciclo menstrual.

A terapia reposição hormonal é a única alternativa?

Como uma das principais causas do ressecamento vaginal é a alteração na produção e circulação de hormônios no corpo feminino, algumas mulheres acabam recorrendo à reposição hormonal.

Contudo, para quem busca alternativas mais naturais e não quer correr os riscos associados aos efeitos colaterais da terapia de reposição hormonal, é possível adotar tratamentos naturais para menopausa para combater o ressecamento vaginal.

Outra opção é implementar o uso de lubrificantes! Essas substâncias, que podem ser encontradas em qualquer farmácia, agem da mesma forma que o lubrificante natural do nosso corpo, sendo utilizados durante o ato sexual para tornar a relação mais prazerosa.

Mas fique atenta à composição dos lubrificantes na hora de comprar. O mais indicado é utilizar aqueles a base de água, que contribuem para que você tenha uma relação sexual sem dor. Os produtos a base de petróleo e aqueles com sabor, apesar de divertidos, podem causar irritação na vagina e, ao invés de ajudar, acabam atrapalhando.

Outra ação importante é garantir um pH ácido na vagina, evitando as duchas vaginais e o uso de produtos de limpeza que não são próprios para o local. O certo é limitar a higiene íntima para no máximo duas vezes ao dia, usar sabonetes suaves com pH neutro e preferir roupas confortáveis e de algodão.

Também dá para fazer mudanças na dieta que favorecem a regulação hormonal e aumentam a libido, com um alto consumo de soja, ômega-3 e alimentos afrodisíacos, e começar a praticar exercícios físicos regularmente para aliviar o estresse e as preocupações — e dar mais disposição para o organismo.

Além disso, aumentar a frequência das relações e das masturbações já ajuda a garantir a vascularização do tecido vaginal e estimular uma maior produção de muco lubrificante. Então, vale tudo para apimentar a relação do casal, aumentar a libido da mulher e aumentar a frequência do sexo!

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Como aumentar a lubrificação vaginal naturalmente durante a rotina?

Acima, nós já citamos algumas atitudes que você pode tomar para aliviar os sintomas da menopausa e evitar os problemas causados pela secura vaginal. Afinal, há várias opções naturais que podem ser alternativas à reposição hormonal artificial.

Mas vamos, agora, ser mais claros em relação a mudanças que você pode adotar no dia a dia, alterando alguns hábitos da sua rotina. Então, vamos a elas!

Beba água com frequência durante o dia

Um hábito simples, porém muito eficiente não só para a falta de lubrificação na vagina, é o consumo diário de, pelo menos, dois litros de água. Isso significa uma ingestão de cerca de dois copos ao longo do dia.

Com o corpo mais hidratado, a secura também pode ser amenizada. Mas, é claro, o hábito de beber mais água ao longo do dia deve ser combinado com outras mudanças na sua rotina.

Pratique exercícios pélvicos

Você já deve ter ouvido falar que é preciso praticar exercícios físicos para manter a saúde do nosso corpo, não é mesmo? Mas sabia que existem também exercícios para manter nossos órgãos genitais saudáveis?

São os chamados exercícios pélvicos, que são bem menos divulgados do que as práticas de fortalecimento de outros músculos, como pernas, braços e abdômen.

Alguns exercícios de pilates contribuem para fortalecer o chamado assoalho pélvico, cujos músculos se localizam na região entre as pernas até a base das espinhas nas costas. Você também pode fazer sozinha os chamados exercícios de Kegel, que são específicos para o assoalho pélvico.

Se você não tem familiaridade com esse tipo de prática, nós vamos te dar algumas dicas de como incluí-lo na sua rotina. O ideal é que você comece aos poucos, fazendo cerca de 30 repetições dos exercícios por dia para, depois, alcançar uma meta diária de 60 repetições. Então, vamos ao passo a passo:

  1. Esvazie a bexiga antes de começar;
  2. Tente interromper o jato do xixi enquanto urina para identificar onde está o músculo do assoalho pélvico, o pubococcígeo. Ele é o responsável por esse tipo de controle. Mas só faça isso da primeira vez, não repita sempre porque pode causar infecção urinária;
  3. Volte a contrair o músculo depois de urinar para ter certeza de que você aprendeu a controlá-lo;
  4. Realize cerca de 10 contrações seguidas;
  5. Relaxe e faça mais 10 séries de contrações;
  6. Mantenha sua respiração contínua durante a atividade. Existem pessoas que acabam prendendo a respiração quase sem perceber.

Você pode fazer esses exercícios na posição em que se sentir mais confortável: em pé, sentada, com o auxílio de bolas etc. Você também pode praticá-los de maneira lenta ou rápida ou, ainda, alternar as séries.

Eles contribuem para fortalecer a região genital e tornar o sexo mais prazeroso, além de amenizar os problemas causados pela secura vaginal.

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Estabeleça uma dieta que possibilite um equilíbrio hormonal

Não é só uma reposição hormonal que possibilita um maior controle de nossos hormônios no momento da menopausa. Existem alimentos que também contribuem para isso e podem ajudar a diminuir a secura vaginal e aumentar a libido da mulher.

Uma dieta rica em fibras, vitaminas e minerais, por exemplo, é indicada para aliviar os incômodos sintomas de mulheres que chegaram à menopausa. Diversificar a alimentação com alimentos saudáveis também é sempre importante.

Uma dica valiosa é tomar diariamente uma vitamina de banana. Bata no liquidificador uma banana com um copo de leite de soja e duas colheres de amêndoas. A banana é uma importante fonte de magnésio, que contribui para a vasodilatação e, consequentemente, liberação de hormônios.

Já a soja possui uma substância chamada isoflavona que, de certa forma, imita os efeitos do hormônio estrogênio no corpo feminino. A semente de linho também possui o mesmo efeito.

Evite utilizar protetores diários

Os protetores diários são indicados somente para o início ou final do período menstrual, quando o volume de sangue é muito pequeno e não demanda o uso de um absorvente. O problema é que muitas mulheres acabam utilizando os protetores todos os dias, achando que estão protegendo a vagina e o canal vaginal.

Se esse for seu caso, é bom mudar de hábitos. Os protetores diários podem alterar o pH da flora vaginal. Por exemplo, o protetor pode aumentar a acidez de uma mulher que tenha o pH ácido — e o mesmo pode acontecer com pH menos ácido.

Os protetores podem causar uma falta de oxigenação na região vaginal, uma vez que pode barrar a “respiração” local. Isso pode deixar a vagina mais propícia à contração de bactérias, por exemplo. Além disso, um pH bem equilibrado é fundamental para uma boa lubrificação.

Mantenha uma higiene íntima de qualidade

Já que terminamos o tópico anterior falando da importância de manter o pH da vagina equilibrado, com uma acidez ideal, vamos agora falar da higiene íntima, que interfere bastante no pH.

A primeira coisa que você precisa colocar na cabeça é que manter a vagina limpa não significa lavá-la várias vezes ao dia. Como já citamos, o ideal é lavar a vagina com ducha, no máximo, duas vezes ao dia. Pelo fato de lavarem o canal vaginal, as duchas acabam interferindo no pH.

Além de evitar o excesso de duchas, a escolha do sabonete íntimo também está diretamente relacionada ao equilíbrio do pH vaginal. Primeiro, é preciso deixar claro que o uso desses sabonetes não é uma obrigação. A vagina tem mecanismos autolimpantes, o que dispensa lavagens adicionais.

Mas se você é daquelas mulheres que fazem questão de usá-lo, é preciso se atentar a alguns pontos. Os sabonetes íntimos são ótimos para manter a vagina saudável e hidratada, mas se usados corretamente:

  • Utilizar, no máximo, duas vezes ao dia;
  • não passar na parte interna da vagina para não causar irritação;
  • não demorar mais de três minutos para efetuar a limpeza;
  • não esfregar o sabonete exageradamente na região. Os movimentos devem ser leves.

Perguntas e respostas: quais as dúvidas mais comuns sobre a falta de lubrificação feminina?

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Para finalizar este post, vamos fazer uma série de perguntas e respostas  diretas sobre o ressecamento vaginal. Afinal, esse é um problema que afeta muito as mulheres e também seus companheiros, mas pouca gente tem coragem de tocar no assunto.

1. A secura vaginal pode ser sintoma de algo mais grave?

Não se preocupe. Dificilmente, o ressecamento vaginal é consequência de algo mais grave na sua saúde. A falta de lubrificação é causada, principalmente, pela alteração na produção e circulação de hormônios. Essa espécie de descontrole hormonal pode ser consequência da menopausa, de estresse, amamentação, entre outros.

2. Todas as mulheres na menopausa sofrem com o ressecamento vaginal?

Também não. Os efeitos da menopausa variam de mulher para mulher. Há aquelas que, por exemplo, sentem mais calor e outras que ficam mais nervosas. No caso do ressecamento vaginal é a mesma coisa.

A estimativa é de que cerca de 40 a 60% das mulheres na menopausa sofra com a falta de lubrificação. No primeiro ano da menopausa, aproximadamente, 20% das mulheres passam pelo problema. A partir do terceiro ano, esse percentual pode passar dos 45%.

3. Como saber se estou com secura vaginal?

Além de sentir certo desconforto na hora do sexo, a secura vaginal pode se manifestar de outras maneiras: ardência, comichão, urinar com frequência, irritação, menos lubrificação vaginal, sangramento após a relação sexual, desconforto ao vestir calças e infecções vaginais diversas.

Por isso, é muito importante prestar atenção em seu corpo para conseguir identificar qualquer alteração. Caso você perceba que possa estar sofrendo de secura vaginal, é só procurar o tratamento mais adequado para o seu caso.

4. Qual a relação do sexo com a secura vaginal?

Como já falamos, a lubrificação feminina é fundamental para o prazer no sexo. O ressecamento pode causar desconforto e até dor nas mulheres durante a penetração. Então, problemas na hora do sexo podem ser os primeiros sintomas de que você sofre de secura vaginal.

Além disso, a frequência das relações sexuais pode interferir na lubrificação da mulher. Aquelas que são mais ativas sexualmente tendem a ter uma melhor lubrificação da vagina do que aquelas que não possuem uma vida sexual ativa. Nesse último caso, a masturbação pode ser uma alternativa.

5. Qual é a melhor saída para a falta de lubrificação?

O ideal é que você discuta seu caso com seu ginecologista. Mas é recomendável que a primeira opção de tratamento seja a mais natural possível. Então, se você pode evitar a terapia hormonal, é sempre melhor.

E opções naturais é o que não faltam. Como já falamos, mudanças na rotina e nos hábitos alimentares podem contribuir — e muito — para que a secura vaginal não seja mais um problema na sua vida. Além disso, existem suplementos alimentares com vitaminas e minerais que são excelentes para amenizar os sintomas da menopausa, principalmente aqueles a base de soja e que possuam ômega 3 em sua composição.

6. O que as mulheres pensam sobre a secura vaginal?

Em 2016, a Conecta divulgou os resultados de uma pesquisa com 1007 mulheres. Os dados mostraram que 80% delas possuem algum grau de conhecimento sobre a falta de lubrificação, enquanto 20% nunca tinham ouvido falar sobre esse problema.

Dentre as mulheres que sofrem com o problema, 53% também se sentem irritadas, 44% se sentem inseguras e 33% consideram ter autoestima baixa. Apesar disso, apenas 24% procuraram um ginecologista para tentar resolver o problema.

Os motivos? “Considerar normal sentir-se ressecada, sendo que o desconforto não precisar ser tratado” (40%); “Não achar importante” (25%); e “Falta de tempo” (23%).

Está vendo como é importante falar sobre esse assunto? Uma vez que o problema foi identificado, é fundamental conversar com o parceiro e também procurar ajuda de um ginecologista.

Neste post, mostramos como é simples o tratamento e como há diferentes maneiras de aliviar esse chato sintoma da menopausa. É só mudar alguns hábitos da sua rotina e utilizar produtos adequados para a vagina.

Gostou das nossas dicas? Não deixe de conferir o nosso post sobre como combater a incontinência urinária na menopausa!

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