Gravidez na menopausa é possível? Entenda os cuidados necessários

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A dedicação aos estudos e à vida profissional é cada vez mais importante na vida mulher. Apesar de possibilitar a garantia de estabilidade financeira e uma boa qualidade de vida, a escolha de postergar a maternidade muitas vezes dificulta o sonho de ser mãe: quando as mulheres alcançam um patamar no qual se sentem seguras e preparadas para ter filhos, muitas vezes já estão na menopausa. No entanto, essa fase não implica, necessariamente, no fim da vida fértil da mulher, sendo possível ter uma gravidez na menopausa sem grandes complicações.

É cada vez maior o número de mulheres que têm filhos depois dos 40 anos. No Reino Unido, por exemplo, o número de mulheres com mais de 40 que se tornaram mães quadruplicou desde a década de 80. Nos últimos dez anos, o número de mulheres com mais de 45 anos que se tornaram mães nos Estados Unidos, dobrou. No mesmo país, houve um aumento de 375% no número de mulheres com mais de 50 que tiveram filhos. Essa mesma tendência é observada no Brasil.

Para entender como a gravidez na menopausa é possível, preparamos um artigo especial para você. Acompanhe!

O que é a menopausa?

A menopausa é o período da vida da mulher no qual seus folículos ovarianos chegam ao fim e o ciclo menstrual se interrompe. É um período natural, que acontece para todas as mulheres mais cedo ou mais tarde.

Após os 40 anos, se a mulher deixa de menstruar por pelo menos 12 meses e não são encontradas outras causas para essa interrupção, fica estabelecido que a mulher está na menopausa.

Isso acontece porque a produção de estrógeno e progesterona dos ovários é interrompida por completo. Uma vez que os ovários deixam de produzir esses hormônios, a mulher não produz mais ovócitos que possam ser fertilizados por um espermatozoide.

O ciclo menstrual regular é um processo em que a secreção de quatro principais hormônios se dá de forma alternada: estrógeno e progesterona (produzidos principalmente nos ovários), hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo estimulante (FSH). Os dois últimos são produzidos pela hipófise, glândula que fica no cérebro.

No início do ciclo menstrual, a hipófise libera pequenas quantidades de FSH e LH. Esses hormônios provocam o crescimento e amadurecimento dos folículos ovarianos. Tal crescimento, por sua vez, induz o aumento da produção de estrógeno pelos ovários. O estrógeno estimula o espessamento do endométrio, preparando o útero para uma possível gravidez.

Um ciclo menstrual normal dura cerca de 28 dias e apresenta flutuações hormonais coordenadas.

Quais os sintomas da menopausa?

Os sintomas mais frequentes da menopausa são:

  • Ondas de calor;
  • Redução da lubrificação vaginal, com consequente desconforto durante as relações sexuais;
  • Alterações de humor como ansiedade, fadiga, irritabilidade e insônia.

A queda na produção de estrógeno aumenta o risco de doenças cardiovasculares. O estrógeno protege o coração e os vasos sanguíneos, evitando a formação de placas que obstruem os vasos e ainda mantém os níveis do bom colesterol, chamado de HDL. O declínio do estrógeno também está ligado à osteoporose, perda acentuada de massa óssea.

A diminuição da progesterona, por sua vez, interfere na libido e está relacionada com a queda do tônus muscular. Também há um aumento das probabilidades de desenvolvimento de depressão.

Quem faz reposição hormonal ainda está na menopausa?

Sim, a reposição hormonal não reverte a menopausa. Ela tem o objetivo de minimizar o desconforto causado pela baixa produção de hormônios. A intensidade desses sintomas varia para cada mulher. A reposição normalmente combina os dois hormônios produzidos pelos ovários: estrógeno e progesterona.

Segundo o endocrinologista José Mário Soares Jr., a reposição hormonal pode ser feita dez anos após a última menstruação ou a partir dos 60 anos.

Quais as indicações e restrições da reposição hormonal?

A reposição hormonal é prescrita com restrições ou não é indicada para mulheres:

  • Obesas;
  • Sedentárias;
  • Fumantes;
  • Diabéticas;
  • Hipertensas que não conseguem regular a pressão arterial com medicação.

Mulheres que tiveram câncer de mama ou de útero ou que têm porfiria não podem fazer o tratamento.

As diferentes indicações da reposição hormonal, que dependem do histórico da paciente.

O que é perimenopausa?

A perimenopausa é o período de alguns anos que antecede a menopausa. Durante esse período, a mulher já passa por uma diminuição na produção de hormônios e seu ciclo menstrual torna-se mais irregular. A mulher ainda ovula e é possível, ainda que improvável, que ela engravide.

Portanto, se você tem a partir de 40 anos e seu ciclo está irregular, procure um médico. Existem vários motivos que podem levar a mudanças no ciclo menstrual, muitos deles não estão relacionados com a menopausa, mas com doenças.

O médico pode avaliar se, de fato, você está chegando à menopausa e indicar uma terapia de reposição hormonal, se for o caso.  O ideal é, na medida do possível, evitar hormônios sintéticos e optar por um tratamento natural.

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Quais são os riscos de uma gravidez durante a perimenopausa?

FreepikDevido a alterações no útero na produção hormonal e na qualidade dos óvulos, a chance de aborto aumenta muito durante a perimenopausa. A chance de parto prematuro também cresce bastante e a probabilidade da necessidade de uma cesariana na hora do parto é de mais de 50%. Isso porque o útero já não é capaz de se contrair de maneira tão eficiente.

E se estou na perimenopausa e quero ter um bebê?

Se você tem mais de 40 anos, sua menstruação está irregular e você quer ter um bebê, deve começar a tentar assim que possível. Se depois de 6 meses você não tiver engravidado, procure um médico.

A fertilidade diminui com a idade, a redução é significativa depois dos 35 e muito grande depois dos 40. No entanto, as tecnologias estão avançando constantemente e as estatísticas demonstram que cada vez mais mulheres engravidam e conseguem ter uma gravidez tranquila depois dos 40.

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Qual a relação entre a menopausa e a gravidez?

A cada ciclo menstrual um folículo ovariano se desenvolve e libera um ovócito que pode ser fecundado por um espermatozoide e, então, fixar-se no útero, dando início a uma gravidez. Se não há mais folículos no ovário, é impossível que a mulher engravide naturalmente. Nesse caso, a única alternativa, por enquanto, é a fertilização in vitro com um óvulo doado.

Por que os folículos ovarianos acabam?

Ao contrário do homem, a mulher não produz seus gametas — os ovócitos — o tempo todo. A produção ocorre apenas quando a mulher ainda é um bebê em formação dentro do útero da mãe.

Quando uma menina nasce existem cerca de dois milhões de folículos em seus ovários. Se apenas um folículo se desenvolvesse cada vez que a mulher fica menstruada, ela teria muito mais folículos do que o necessário para sua vida toda.

No entanto, os folículos sofrem um processo chamado atresia e são destruídos. Quando atinge a puberdade, a mulher tem cerca de 500 mil folículos. Conforme os ovários envelhecem, eles também param de responder aos hormônios que estimulam a ovulação, acelerando o processo de atresia.

É possível engravidar sem menstruar?

A mulher pode engravidar sem menstruar e sem ter mais ovócitos. A questão é que o funcionamento dos ovários entra em declínio conforme a mulher envelhece, mas todo o restante do sistema reprodutivo continua funcionando bem.

Essa característica viabiliza uma gravidez numa mulher que já esteja na menopausa, desde que ela receba os estímulos hormonais indicados e utilize um óvulo doado, que deverá ser fertilizado in vitro. O tratamento hormonal prepara o útero para a gravidez, a fim de que o embrião tenha sucesso ao ser implantado e consiga se fixar no colo do útero.

É possível que a mulher produza novos ovócitos?

Até alguns anos atrás, era seguro afirmar que não. No entanto, novas pesquisas indicam que é possível que as mulheres produzam novos ovócitos. Essas pesquisam desafiam o paradigma anterior, estabelecido há muito tempo, e essas descobertas apontam que, conforme novas técnicas forem desenvolvidas, será possível postergar a menopausa, melhorando a qualidade de vida da mulher e criando novas possibilidades com relação à fertilidade.

Nessas pesquisas, publicadas em várias revistas, entre elas a National Geographic e a New Cientist, os cientistas conseguiram isolar células-tronco dos ovários. Essas células são capazes de se transformar em ovócitos.

Essa tecnologia ainda não está disponível para tratamento, mas os cientistas acreditam que, num futuro próximo, será possível usar as células-tronco do ovário para criar um suprimento ilimitado de ovócitos. Isso poderá substituir ou complementar as técnicas de reprodução artificial atuais.

Gravidez na menopausa é possível?

As mulheres, em geral, entram na menopausa por volta dos 50 anos. Algumas vezes, a menopausa começa por volta dos 40.

Devido à idade e hábitos de vida, é comum que as mulheres tenham algumas doenças nessa faixa etária como:

  • Hipertensão;
  • Câncer;
  • Colesterol alto;
  • Diabetes.

A incidência de obesidade também é maior do que em mulheres mais jovens. Essas condições pré-existentes fazem com que a gravidez na menopausa possa ser mais arriscada. O risco de vida tanto para a gestante, quanto para o bebê, estatisticamente, é maior. Também existe uma maior chance de distocia funcional, que é quando o trabalho de parto não evolui na velocidade esperada.

As chances de o bebê ser prematuro ou nascer com um peso baixo também são maiores. Também há maior risco de alterações cromossômicas numéricas ou estruturais, como a síndrome de Down, Edwards e Patau, afirma o especialista em reprodução humana Gilberto da Costa Freitas.

No entanto, é necessário analisar cada caso individualmente. É importante avaliar a saúde da mulher antes de dar início a esse processo e considerar todas as opções.

Existem pesquisas que sugerem que mulheres na faixa dos 50 anos podem ter riscos similares, numa gestação promovida durante a menopausa, aos de mulheres na casa dos 40 anos.

Segundo o obstetra Adolfo Liao do Hospital das Clínicas de São Paulo, até 25% das gestações em idade materna avançada são interrompidas por abortos espontâneos.

Já a taxa de bebês que nascem prematuros porque a mãe, com idade avançada, desenvolveu diabetes ou hipertensão chega a 15%.

Como prevenir os riscos numa gravidez após os 40?

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Se você tem mais de 40 e deseja engravidar, é importante procurar acompanhamento médico antes. Tomar ácido fólico por três meses antes de engravidar, por exemplo, pode ser uma das medidas receitadas pelo médico para minimizar a chance de má-formação do bebê. Essa é a recomendação do obstetra Julio Barbosa do Hospital Santa Catarina.

Também é importante ter em mente que o pré-natal de uma mulher com 40 ou 50 anos é diferente do de outras gestantes. Ele deverá ser muito mais intenso, com consultas mais frequentes e pedidos de exames diferentes, específicos para esse grupo.

Como é a gravidez depois dos 50?

Uma gravidez depois dos 50 anos é considerada sempre de alto risco pelos médicos. Contrariando esse padrão, novas pesquisas demonstram que a gravidez de mulheres de mais de 50 anos pode ser saudável e sem complicações.

Um estudo foi conduzido no Centro Médico da Universidade Columbia, por exemplo, com 101 mulheres que receberam embriões fertilizados por meio do método in vitro. Essas mulheres optaram por utilizar óvulos doados e passaram pela gravidez sem maiores complicações comparadas a mulheres mais jovens que engravidaram da mesma forma.

Isso significa que o padrão observado independe da idade da mulher para alguns quesitos. A gravidez gestacional, por exemplo, oferece o mesmo risco para mulheres de 42 a 50 anos. A única diferença observada foi que as mulheres com mais de 50 realmente tinham uma tendência maior a desenvolver hipertensão.

Segundo o Dr. Mark Sauer, autor do artigo, as mulheres observadas durante o estudo passaram muito bem durante a gravidez e, desde que as mulheres mais velhas tenham uma boa saúde e um acompanhamento adequado, não há motivo para que isso não aconteça. O estudo, publicado no American Journal of Perinatology, é um dos mais extensos realizados com mulheres que engravidaram durante a menopausa.

Dr. Sauer ressaltou que as mulheres que participaram de seu estudo tinham um bom nível econômico e uma boa formação intelectual. Esses fatores contribuem para que elas tenham se mantido saudáveis, já que compreendem a importância de uma alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, por exemplo.

Gravidez depois dos 50 no Brasil

No Brasil, a escolaridade também é um fator em comum nas mulheres que postergam a gravidez. Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em 2015 apontou que o nascimento do primeiro filho depois dos 30 anos está ligado ao nível de escolaridade da mulher. Segundo a pesquisa 45,1% das mães de primeira viagem, com mais de 30 anos, têm níveis mais elevados de escolaridade — 12 anos ou mais de estudo.

A pesquisa também aponta que as mães com, pelo menos, 30 anos estão divididas pelas cinco regiões do país da seguinte forma:

  • Sudeste: 34,6%
  • Sul: 33,6%
  • Centro-Oeste: 28,8%
  • Nordeste: 26,1%
  • Norte: 21,2%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2003 e 2013, as mulheres estão esperando mais para ter filhos. O número de mães com idade entre 30 e 34 anos passou de 14,5% para 19,4%. No mesmo período, houve uma redução do número de mães com idade entre 20 a 24 anos – de 30,9% para 25,3%.

Quais as vantagens de engravidar depois dos 35?

Os médicos e as pesquisas, em geral, indicam que as mulheres devem preferir ter filhos até os 35 anos. No entanto, um estudo recente verificou que mulheres que têm bebês depois dos 35 podem ter benefícios na menopausa.

Durante a menopausa é constatada, em geral, uma perda da capacidade de raciocínio. Já as mulheres que tiveram bebês depois dos 35 experimentam, segundo a pesquisa, uma perda menor dessa capacidade. O mesmo se aplica para mulheres que tomaram anticoncepcionais por mais de 10 anos.

Esse estudo foi um dos primeiros a avaliar as relações entre a maternidade numa idade mais avançada e as funções cognitivas na terceira idade. Uma das autoras da pesquisa foi Roksana Karim, professora de medicina preventiva na Escola de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Publicado no Journal of the American Geriatrics Society, o estudo analisou 830 mulheres com uma idade média de 60 anos e foi adaptado para diferentes faixas de renda, educação e idades.

A hipótese levantada pelos pesquisadores diante do resultado da pesquisa, é que a injeção de grandes quantidades de estrógeno e progesterona numa fase da vida em que a produção desses hormônios, em geral, já está em declínio, pode apresentar benefícios para o corpo durante o processo de envelhecimento.

É possível engravidar após a menopausa?

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Atualmente, não. Mas é provável que essa técnica seja desenvolvida. As mulheres que estão na menopausa e desejam engravidar dependem, atualmente, da doação de óvulos. Já existem pesquisas tentando estimular a produção de novos ovócitos por mulheres na menopausa. Elas mostraram bons resultados com o uso de células-tronco ovarianas.

Em um dos estudos, 80% das cobaias estéreis que receberam as células-tronco voltaram a ovular e conseguiram engravidar, o que sinaliza que, em um futuro próximo, essa poderá ser uma alternativa para mulheres que quiserem ter filhos após a menopausa.

Gravidez na menopausa ainda é um tema polêmico, mas percebemos que com a difusão da informação e as novas técnicas da medicina, tem se tornado cada vez mais comum. O fato é que muitas mulheres optam por ter filhos mais tarde, após se consolidar na carreira, por exemplo, engravidando na faixa dos 35 a 40 anos. Outras, entretanto, acabam engravidando de forma indesejada devido aos ciclos irregulares causados pela menopausa. De qualquer forma, a situação é totalmente controlável e a gravidez tem grandes chances de ser bem-sucedida!

Para entender um pouco mais sobre a sexualidade feminina e suas fases, não deixe de conferir nosso artigo especial sobre o assunto!

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