Caxumba em adultos: como tratar?

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Quando os adultos são acometidos pela caxumba, ela pode acarretar em inflamações mais graves em outras regiões do corpo.

A caxumba em adultos conhecida também, como parotidite ou papeira, nos últimos anos vem acometendo a população do nosso país. Um colossal volume de pessoas infectadas procura o atendimento médico relatando as mazelas causadas por essa doença infecciosa. Quando ocorre a caxumba em adultos, é notada a elação dos sintomas e de possíveis complicações, impactando drasticamente a rotina de mulheres e homens, isso porque o organismo reage mais agressivamente a inflamação.

Os especialistas acreditam que esse fenômeno é resultado da falta de imunização das pessoas adultas, pois a vacina tríplice viral só foi inserida no calendário brasileiro dentre os anos de 1992 e 2002. Portanto, pessoas nascidas nos anos anteriores estão suscetíveis ao contágio da caxumba.

Ela impacta na rotina do trabalho e familiar, pois basicamente o seu tratamento é embasado em repouso absoluto. É impossível pensar em duas semanas inteiras de resguardo, quando se tem um montante de tarefas para resolver e prazos para cumprir, entretanto, a saúde deve vir em primeiro lugar!

Outro fator que justifica o aumento dos diagnósticos médicos, é que antes a caxumba era unicamente tratada com cuidados caseiros, sem o enfermo ter que recorrer ao clínico, todavia, hoje em dia as pessoas procuram mais os hospitais.

Os adultos que não tomaram a dose da vacina são os mais vulneráveis e, por conseguinte, os mais designados a serem infectados pela doença. O organismo de uma pessoa adulta não está preparado para enfrentar o vírus levando a subjugação do corpo.

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“[…] normalmente a doença se manifesta de forma mais intensa nos adultos. Isso ocorre principalmente por que o sistema imunológico está mais maduro. Os sintomas de uma doença são resultado da ação do nosso corpo sobre o vírus e a resposta imunológica de um adulto é muito mais potente do que o de uma criança.”

Maura Duarte, Pesquisadora.

O que é parotidite (caxumba)

É uma doença infecciosa provocada por um vírus da família dos Paramyxovirus, que acarreta na inflamação das glândulas parótidas, glândulas submaxilares e as glândulas sublinguais.

A manifestação pode se iniciar por uma pequena dor, que quase sempre é confundida com uma dor de dente, bem como, uma dor nos ouvidos ou pelo inchaço característico da caxumba.

Glândula parótida

A glândula parótida é responsável pela produção da saliva serosa. Ela está localizada entre o processo estiloide do nosso osso temporal e o ramo da mandíbula. É a maior glândula salivar do corpo humano, dentro do seu núcleo está o ducto parotídeo, que fornece saliva através de uma introdução da cavidade bucal.

Glândula submaxilar

Essa glândula está localizada em baixo do assoalho bucal. Sua principal função é a secreção da saliva não estimulada. Assim como a parótida ela também é encontrada dos dois lados da face.

Glândula sublingual

No conjunto das glândulas salivares, a sublingual é a menor, ela está localizada entre o assoalho oral e o músculo milo-hióideo.

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Os três tipos de glândulas salivares.

Normalmente, os focos de infecção de caxumba em adultos ocorrem nos meses de junho a setembro. Vale ressaltar que o período de incubação é mediano, variando de 14 a 25 dias. Quando uma pessoa está infectada pela moléstia, ela pode transmitir para outras pessoas entre seis dias antes do início dos sintomas até nove dias depois.

A transmissão ocorre por intermédio da saliva, o ser humano é o único ser vivo que pode hospedar o vírus. O contágio só é possível através do contato com a saliva do adulto que está infectado. O beijo, talheres, copos, ou uma conversa muito próxima são os canais de uma possível propagação.

É recorrente o isolamento das pessoas que estão com caxumba, pois o vírus se espalha com grande facilidade por meio da saliva infectada. O sujeito fica em média de uma a duas semanas afastado dos locais públicos. Entretanto, para as pessoas que não aguentam o enclausuramento, uma boa saída é o uso das máscaras descartáveis que impedem a propagação da caxumba. Veja abaixo uma ilustração com os sintomas e as possíveis complicações:

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Ilustração dos sintomas e as possíveis complicações da caxumba.

Riscos da caxumba em adultos

Alguns sinais podem evidenciar algumas complicações, conforme foi ilustrado acima. Nos casos onde for constatada rigidez na nuca, dor de cabeça e prostração procure ajuda médica imediatamente, pois pode ser uma meningite. Bem como, dores na região dos ovários (ooforite), mama (mastite), dores no abdômen superior (pancreatite), seguidos ou não de náuseas e vômitos. Outro sinal que deve ser observado é a desorientação mental, pois o vírus pode atingir a corrente sanguínea e parar no sistema nervoso central.

“O vírus da caxumba tem preferência por tecidos de glândulas, por isso suas complicações são mais comuns nesses órgãos. Quando o vírus da caxumba ataca os ovários e testículos […] pode causar a esterilidade.”

Maura Duarte, Pesquisadora.

O tratamento da caxumba em adultos

Não há medicamentos que combatam o vírus em si, o tratamento é sintomático, ou seja, na amenização dos sintomas. O médico pode receitar analgésicos e/ou antitérmicos com o objetivo de aliviar o sofrimento do adoentado.

Vacinação

Gestantes e adultos que ainda não tiveram caxumba e nem tomaram a vacina devem ser imunizados o quanto antes. Contrair a doença na gravidez pode provocar aborto, perda de audição e outras complicações ao feto, principalmente se for realizado o contágio no primeiro trimestre de gestação.

Um estudo clínico idealizado no ano de 2015 pelo Ministério da Saúde (OMS) detectou anticorpos contra a caxumba em 96,1% das pessoas vacinadas, em 98% contra o sarampo, e em 93% contra a rubéola. A vacina tríplice viral deve ser aplicada em duas doses a fim de garantir a imunização da pessoa.

“Embora a cobertura vacinal do Brasil seja alta, em média de 95% ela não é igual em todas as localidades. Por isso, é importante os gestores locais analisarem a cobertura vacinal para identificar quais são as regiões dos municípios que precisam de reforço da vacinação.”

Fundação Osvaldo Cruz

Recomendações ao enfermo

Alguns cuidados no período da infecção podem garantir que a pessoa sai dessa semana ou quinzena sem grandes impactos, e minimamente sem lembranças dolorosas e desagradáveis. Para aliviar o calvário recomenda-se:

  • Não abra mão de compressas quentes ou frias na região do inchaço;
  • Lembre-se, o repouse é fundamental;
  • Opte por sopas e alimentos de fácil degustação. Evite alimentos que seja necessária a mastigação para consumi-los;
  • Beba muitos líquidos;
  • Não coma alimentos que estimulem a produção de saliva;
  • Nunca se automedique! Procure um médico para ter o diagnóstico de fato da doença e para que ocorra uma medicação adequada.

“O mais importante é respeitar o tempo de repouso e manter uma boa alimentação e hidratação, consumindo alimentos leves, evitando gorduras e priorizando itens que dão energia ao corpo, como os carboidratos. A alimentação e o repouso são importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico, que garante que o corpo combata o vírus da caxumba de forma eficiente.”

Maura Duarte, Pesquisadora.

Parafraseando a teoria do psicólogo Maslow, lembre-se: na pirâmide das necessidades, a saúde (necessidade fisiológica) vem primeiro do que o dinheiro (necessidade de segurança). Aproveite esse momento e procure colocar em ordem algumas ideias e projetos.

Quando bem assistida e bem tratada, a caxumba em adultos será apenas mais uma inflamação que irá se curar ao decorrer da semana. Cuide-se!

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6 COMENTÁRIOS

    • Olá Adriana, bom dia! Tudo bem? Não é muito comum a proliferação do vírus após a vacinação, entretanto, já foram constatados sim alguns casos. Ou a pessoa apenas tomou uma dose da vacina, quando na verdade deveriam ser duas, e com isso a imunização ficou deficiente. É possível também que a quantidade de anticorpos desenvolvidos, não foram suficientes para impedir o alastramento a infecção. O fato é que a vacina trivalente (responsável pela imunização de caxumba, rubéola e sarampo), é ainda a nossa maior aliada da saúde. Além da vacinação cuidados para que não seja transmitido o vírus são fundamentais. A sua dúvida foi sanada? Esperamos que sim! Fique bem, e muita saúde para você e para a sua família. Um forte abraço e um beijo! Continue lendo as nossas matérias!

  1. Tomei a vacina, dia 17 de abril de 2018 a próxima seria nesse mês de junho, e hoje estou sentindo minhas glândulas inchadas, e pensei que eu estava prevenida, como isso pode acontecer?

    • Olá Juliana! Isso pode acontecer sim, pois apenas uma dose da vacinação não é o suficiente para deixar imunizado, bem como é importante ressaltar também que a vacina não é um método 100% eficaz, de 3% a 5% da população que tomou as duas doses pode contrair a infecção. Além de tomar a vacina, os cuidados para impedir a contaminação são essenciais. Cuide-se e se realmente for caxumba, não esqueça de ficar em repouso, e se possível use mascara para não transmitir o vírus. Fique bem e melhoras.

  2. Tomei duas doses da vacina em 92 e 2017, trabalho numa escola e lá tiveram alguns casos de caxumba. Peguei fazem 2 dias. O médico disse que realmente as vacinas não são 100%. Dói bastante mais não inchou muito.

    • Nossa Simone, que pena. Realmente existe a possibilidade de se contrair a doença novamente, porém ao já estar imunizado anteriormente, os danos serão bem menores em comparação aos que nunca tomaram a dose. Esperamos que fique bem. Abraços – Equipe Saudável & Feliz.

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