Paralisia de Bell: por que esta doença atinge metade do rosto?

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Paralisia de Bell
Também conhecida como Paralisia Facial Periférica, a Paralisia de Bell pode ser resultado de uma infecção por vírus, sendo uma doença considerada rara, que engloba menos de 150.000 casos por ano, no Brasil. Ela é caracterizada pela fraqueza dos músculos, desfigurando parcialmente a face.

Causas

Todos possuem um nervo facial, o qual é chamado de Sétimo Nervo Craniano, em cada lado da face. Estes nervos do rosto saem do cérebro e passam por um “túnel” pequenino no crânio, que fica sob o ouvido.

Este nervo divide-se em vários ramos, que têm como função principal abastecer os músculos pequenos do rosto, os quais você utiliza para franzir a testa, sorrir, fechar as pálpebras móveis, sensações de gosto da língua, etc.

Nos casos de paralisia de Bell por infecção viral, alguns vírus específicos podem ser facilmente associados à doença, sendo eles:

  • herpes (labial, genital e zóster);
  • sarampo alemão (rubéola);
  • mononucleose;
  • caxumba;
  • gripe;
  • varicela;
  • SMPB;
  • infecções por citomegalovírus.

“É bastante raro, mas a paralisia pode acontecer nos dois lados do rosto. Nestes casos, o tratamento é mais complexo porque a causa pode estar ligada à uma variante da síndrome de Guillain-Barré, ou mesmo leucemia, doenças reumatológicas, sarcoidose [doença autoimune] etc.”

Academia Brasileira de Neurologia

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Cuidados

É importante estar atento à alguns hábitos, pois eles podem causar a paralisia facial, como o choque térmico. Por exemplo, ao sair de um banho bem quente e pegar uma friagem, a queda brusca da temperatura pode paralisar o rosto.

Cuidar da saúde mental também é importante, como nos casos de stress. De acordo com o otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, o estresse em si não causa a perda de movimentos faciais, mas acaba ativando o vírus dormente no nervo, que inflama o músculo e desencadeia a paralisia.

Sintomas da paralisia de Bell

  • fraqueza nos músculos faciais;
  • paralisia;
  • queda da pálpebra;
  • dormência da pálpebra;
  • ressecamento ocular;
  • problemas nos nervos;
  • baba;
  • sensibilidade auditiva;
  • dor de cabeça.

Fatores de Risco

Os grupos mais propensos à ter paralisia de Bell são diabéticos, grávidas e pessoas com infecção nos rins, além é claro, de predisposição genética.

Complicações

A Paralisia de Bell pode causar danos se não tratada, levando por exemplo, ao ressecamento do olho o qual fica aberto no lado no estado de paralisia. Isso pode desencadear danos permanentes à córnea, levando até mesmo à cegueira em casos extremos.

“Outra complicação é a sincinesia olho/boca, ou seja, a ocorrência de movimentos involuntários, mas simultâneos, provocados por um comando este, sim, voluntário de um grupo muscular distinto.”

— Dr. Drauzio Varella

Ou seja, a pessoa sorri e involuntariamente acaba fechando o olho do lado paralisado ou eleva o canto da boca ao fechar os olhos.

Paralisia de Bell tem tratamento?

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Imagem por: Freepik
A Paralisia de Bell costuma solucionar-se sozinha num período por volta de 6 meses, mas tratamentos externos aceleram este processo, indicados por neurologistas ou clínicos gerais.

1. Fisioterapia

Renova a função e a força muscular, através de exercícios faciais, impedindo assim que os que os músculos se contraiam permanentemente.

2. Corticoides

Altera efeitos dos hormônios, com o objetivo de diminuir inflamações ou elevar o crescimento e a reparação do tecido.

3. Antiviral

Diminui a capacidade viral de multiplicação.

Recuperação Instatisfatória

“Nos casos com recuperação insatisfatória é possível utilização de Botox (no lado bom), para melhorar a simetria (uma vez que o aspecto estético é a principal problema da paralisia sequelar). Há outras opções cirúrgicas como descompressão do nervo em casos graves (ainda em estudo) e microcirurgia de transposição de nervo (também medida de exceção).”

— Neurologista Leandro Telles

Paralisia de Bell e AVC

Mesmo que ambos possam causar problemas na face, a paralisia de Bell e o AVC se diferem pois não possuem a mesma origem, nem a mesma gravidade. No caso da paralisia de Bell, o vírus atinge diretamente os músculos mímicos faciais, e não os mastigatórios. Já no Acidente Vascular Cerebral, ocorre um bloqueio nas artérias cerebrais ou uma hemorragia (quando o sangue vasa para fora da artéria).

“Fique atento aos sintomas de AVC: a parte da face pode ‘cair’, como o olho ou a boca; a pessoa não consegue colocar os braços estendidos na frente do corpo e paralelos; a pessoa não fala de maneira clara, enrola a língua ou fala sem sentido. Identificando esses sintomas, vá até o hospital.”

— Bem Estar

Conhece pessoas ou teve a rara doença da Paralisia de Bell? Como foi o tratamento? Causou algum dano permanente à saúde? Conte-nos! Deixe seu comentário aqui no Saudável e Feliz!

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