Você sabe como superar o luto?

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Como superar o luto? Esta é uma pergunta que pode até ter inúmeras respostas, entretanto, ninguém fica articulando possíveis caminhos antes do infortúnio ocorrer. E quando ele acontece, faltam condições resolutas para colocar a resposta escolhida em prática – no primeiro estupor mediante a perda.

A morte de um ente querido, desestabiliza, dói, perturba, dilacera, é uma onda avassaladora como um tsunami, que atropela e derruba tudo que até então foi construído, é desesperador saber que após a onda, tudo será destruição e caos, e que o seu cais ou porto seguro, não estará mais a sua espera. E, em meio às ruínas, surge o questionamento: como recomeçar? Eu consigo?

Vale ressaltar que, essa superação está muito atrelada com a cultura do enlutado. Existem culturas que se articulam com a morte de uma maneira mais branda e lúcida, não é o caso da nossa cultura brasileira.

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Outro fator que precisa ser adicionado a essa equação, é a subjetividade, duas pessoas podem perder o mesmo sujeito, porém a dor e o processo do luto serão singulares. Como diria o compositor e cantor baiano Caetano Veloso: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

O que é o luto?

Para entendermos o processo de como superar o luto, é fundamental sabermos o que é essa fase, que irá acometer a todos em um dado momento de nossas vidas.

O luto é uma fase transicional que a pessoa passa, quando ocorre a morte de um ente querido, assim como, quando acontece o termino de um relacionamento, a perda de um emprego, e etc. O luto está intrínseco a perda, e sim, ele faz parte de nossas vidas, bem mais do que podemos imaginar. O fato é que, atrelamos somente a morte a esse processo, todavia, ele está envolto em muitas situações em nosso cotidiano.

“Entende-se que luto é uma fase transitória em que o sujeito, se depara com a perda do objeto de amor, e a superação desta fase se dá com a substituição do mesmo, e é, a libido investida no material perdido, será empregada em um novo objeto”.  

-Kátia Margarete F. da Rosa, Psicóloga.    

As fases do luto

Por ser um processo transicional, o luto ocorre através de etapas, mas, o desenrolamento não é obrigatoriamente sequencial, bem como, não necessariamente, essas etapas começam em seguida do término de outra, portanto, voltamos a repetir que o período irá variar de acordo com cada pessoa. Vale informar também, que o luto pode anteceder a perda (morte e etc).

Negação

Ao se deparar com a realidade (a perda), podemos negá-la veemente, não queremos acreditar que isso possa ter nos acontecidos, não com conosco, ou com os nossos, “ainda se tratando de uma pessoa tão especial”, “isso não pode ter ocorrido”. Negamos com intuito de poder suportar a dor! A negação pode ser explicita ou não, podemos demonstrar publicamente um conformismo, entretanto, estamos negando internamente a perda. Esse estágio é de suma importância para superar o luto, pois ajuda a amortecer o impacto imediato do caldeirão de emoções que são jorradas sobre o enlutado.

Raiva

A negação não é capaz de dar conta por muito tempo, portanto, pode surgir a etapa da raiva, a fim de conseguir demonstrar toda a nossa frustração e/ou ressentimento pelo ocorrido. Sentimos ainda mais raiva e/ou remorso por saber que não há reversão. Essa etapa pode ser positiva para dar contar de transbordar o acúmulo de emoções, entretanto, pode ser injusta para com os outros (parentes, cônjuges, animais de estimação e etc), pois eles acabam virando o alvo da fúria. É nessa fase também que pode aparecer o comportamento de querer identificar o culpado (responsável) por tamanho sofrimento.

Negociação

É a etapa em que o “se” surgi com o propósito de encontrar uma justificativa, bem como, obter teorias que possam reverter a situação, quem nunca se deparou com os comentários: “se ele tivesse tomado o remédio”, “se eu não tivesse mandando ela para lá”, “se eu estivesse no lugar dele”. Nós começamos a criar possíveis cenários que não resultariam na perda e, passamos a negociar com a fé, uma possível reversão da morte (perda), ou que ela não aconteça (conforme foi sinalizado, o luto pode iniciar antes mesmo do fato se consumar).

Tristeza (depressão)

Não há fantasia que seja capaz de sobressair a realidade (há algumas exceções). Quando tomamos ciência e sentimos uma imensa sensação de vazio o nosso humor rebaixa, é uma tristeza tão profunda que mitiga todas as energias, as forças se esvaíram, escoam pelos nossos corpos. O ente não irá mais voltar! Essa etapa é o ponto de partida para elaboração de um luto saudável, ou o caminho que levará para um luto patológico, desencadeando uma melancolia ou até mesmo um suicídio. A primeira sugestão a ser dada, em relação a como superar o luto é: ao perceber que não conseguirá dar conta de elaborar o sofrimento sozinha, procure uma ajuda psicológica ou o apoio imediatamente.

Aceitação

Essa etapa emerge através da resiliência, aceitamos que a morte é uma condição sem alteração, passamos a buscar o retorno de nossas vidas, com dor sim, mas seguimos em frente em um aprendizado continuo, lindando com a saudade, mas seguindo, pois a vida não para.

Quando o processo se torna patológico

O sofrimento pode ser tão intenso e profundo, que podemos não aceitar a perda de maneira alguma, a sensação de que um pedaço nosso foi embora e que não podemos mais seguir sem ele,  é tão latente. É uma força que nos anula e que tira a nossa vitalidade para seguir a caminho da ressignificação. A sensação de vazio só aumenta, perdemos o sentido. Todo esse cenário gera muita ansiedade e angústia, e, mergulhado em uma morbidade tão profunda, nos tornamos melancólicos passando até mesmo em pensar em ideias de morte, ou colocando um ponto final em nossas vidas.

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A perda

A perda pode ser ressignificada e contribuir para o nosso crescimento, o sofrimento é inevitável, todavia, é possível obter evolução através da dor. Não será uma tarefa fácil de ser realizada, é algo que será construído diariamente, dia após dia, cada pessoa em sua própria velocidade, a ponto de chegarmos à premissa que talvez não tenhamos perdido.

O Saudável e Feliz deu ênfase na morte de um ente querido para facilitar o entendimento da estrutura do luto, entretanto, existem diversos tipos de perda, que gerarão “lutos”, alguns podem ser mais dinâmicos, outros mais demorados, assim como, podem ser patológicos ou não. O que precisamos é ter o discernimento que precisamos respeitar a dor alheia, precisamos ter empatia para com o próximo.

Uma pessoa que está sofrendo com o término de um relacionamento, pode sofrer tanto quanto, ou mais, que outra que está lidando com a morte de alguém, ambas merecem o suporte, ajuda e o acolhimento.

Como superar o luto?

Chegamos em um ponto da nossa matéria, que daremos caminhos e sugestões que podem ajudar a pessoa a superar o luto, entretanto, vale sinalizar mais uma vez, que caso você perceba que não conseguirá lidar com essa transição, procure um psicólogo. O luto patológico pode ser muito maléfico e prejudicial para o enlutado, bem como, para todos aqueles que fazem parte dos seus vínculos sociais.

O apoio

Por que procurar apoio?

O apoio de outras pessoas é de suma importância! Saber que não estamos sozinhos nessa fase, mesmo tristes, é revigorante. É fato não teremos mais a presença de alguém ou algo que partiu, porém, saber que temos companheiros que podemos contar, abraços para receber o nosso pesar, assim como, o acalanto para as nossas tristezas é primordial e ajuda a minimizar a sensação de solidão.

Por que apoiar um enlutado?

Devemos apoiar, pois somos humanos, e não há nada mais desolador, do que ver alguém sofrer e não estender a mão, conceder a escuta e dar um abraço. Não devemos ser negligentes para com o sofrimento do outro, pois hoje você estende a mão, e amanhã poderá depender do amparo alheio.

Outro ponto de alerta, é que às vezes ficamos tão eufóricos para tirar a pessoa que está em sofrimento, que acabamos sendo imprudentes, quase sempre, o enlutado quer apenas alguém que escute as suas aflições e suas lembranças e, não sair todos os dias para não pensar na perda.

Substituição da perda

Quando os estudiosos informam que precisamos substituir a perda por algo, não quer dizer que devemos simplesmente “trocar de afeto”, como se fosse algo “descartável”, devemos procurar novas atividades, bem como, conhecer novas pessoas, a fim de, conseguir distribuir a carga emotiva acumulada.

Ressignificação

Quando a dor é ressignificada, o processo de enlutamento se torna menos doloroso, é um exercício lento, mais eficaz, que faz as lembranças deixarem de ser dolorosas, e passarem a ser agradáveis. Lembrar-se do que se foi, como algo positivo e de grande valia para superar o luto.

Reestruturação do presente e futuro

A perda é uma sentença, não existe volta! Portanto, é necessário reestruturar a vida, reorganizar a rotina, reelaborar os planos, bem como, replanejar o futuro. Pense que, o ente que partiu gostaria de te ver ativo seguindo a sua luta diária.

Triste, porém firme e forte!

Às vezes, as lembranças podem te deixar um vestígio de tristeza, trazer algumas lágrimas, mas pense o quanto é possível fazer em nome de quem partiu, e em prol de você mesmo?! Portanto, chore o que for necessário, mas siga em frente.

A vida precisa seguir o seu curso

Por mais que a dor seja intensa, a vida precisa seguir o seu curso, precisamos honrar todos aqueles que investiram seus sentimentos em nós, bem como, caminhar em prol daqueles que dependem ou precisam do nosso afeto, superar o luto é um processo complexo e individual, mas não precisa ser languido e massacrante. Portanto, desejamos força e coragem para você que está passando por essa situação.

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Profundo, não é mesmo?! Você já passou por essa transição? Conte-nos o que você fez para superar o luto. Deixe o seu comentário.

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