Histerectomia: a cirurgia de retirada do útero

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A histerectomia está envolta de uma série de mitos e dilemas, (pouco é discutido sobre o assunto), bem como, faltam canais que possam articular essa demanda de compartilhamento de informação com as mulheres.

O Saudável e Feliz  ciente de sua responsabilidade para com as inúmeras leitoras, coloca foco sobre o tema e, propõe para vocês mulheres, uma imersão profunda sobre a histerectomia.

O primeiro mito que precisamos banir constitui na suposição que a histerectomia é uma doença, isso não é verdade! Ela é uma operação cirúrgica ginecológica que tem por objetivo remover o útero e/ou outros órgãos da região pélvica. Você percebeu que temos muito que conversar, não é mesmo?! Então, vamos lá!

O que é histerectomia?

Conforme já foi mencionado acima, é um procedimento cirúrgico que realiza a remoção do útero e/ou de outros órgãos que estão ao entorno, faz se necessário essa cirurgia quando foram diagnosticadas as seguintes mazelas:

Todavia, é de suma importância relatar que o fato de obter o diagnóstico, não pode ser a sentença para uma cirurgia, ao receber essa diagnose procure uma segunda, bem como, uma terceira avaliação do seu caso, pois em alguns casos é possível tratar de algumas mazelas citadas, com outros procedimentos menos invasivos.

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Algumas pesquisas realizadas comprovaram que 16% das histerectomias ocorrem sem necessidade, ou seja, inúmeras mulheres são submetidas em um processo cirúrgico e perdem seus órgãos, quando poderiam ser medicadas através de outros procedimentos.

Quais são os tipos de histerectomias?

Para cada grau da problemática (evolução da doença) existe uma maneira de realizar a remoção do órgão, assim como, uma técnica. Os especialistas dividem a cirurgia em três classificações:

Histerectomia parcial

Nessa classificação, o cirurgião irá remover apenas o útero. Existe muitos questionamentos em relação ao exame de Papanicolau, normalmente ocorre a pergunta: eu fiz histerectomia parcial, eu devo fazer o exame? A resposta é sim! Como o colo do útero não foi removido é de suma importância continuar a realização do Papanicolau a fim de investigar a saúde da região.

Histerectomia total

É removido o útero e o colo, com isso, mantem-se os exames para analisar a saúde da vagina, ovários e trompas. Antes de banir a realização de um exame periódico, contate sempre o seu ginecologista, pois ele é a pessoa mais adequada para lhe direcionar.

Histerectomia radical

Ela também é conhecida como “total ampliada”. O cirurgião nessa classificação remove útero, o colo, as trompas de falópio, assim como, os ovários. Pode ocorrer também, a remoção do tecido da vagina que fica em torno do colo do útero.

Atenção, nesses casos quando a mulher está no período fértil e passa por essa cirurgia, ela automaticamente começa a sofrer com a menopausa precoce. Portanto, o médico irá receitar uma reposição hormonal, pois os ovários responsáveis pela secreção dos hormônios não estão mais presentes.

Todavia, existem alguns perigos em relação à reposição, converse com o seu especialista para que seja possível encontrar uma solução mais saudável e menos arriscada para você.

Técnicas implantadas

A maneira como o órgão será retirado, também é passível de escolhas, todavia, essa “opção” está submetida aos equipamentos disponíveis pelo hospital, assim como – o mais importante -, pois se deve levar em conta a gravidade e o estado do útero. Veja a seguir as 4 opções de técnicas de remoção (histerectomia):

Vaginal

Na histerectomia vaginal, o especialista irá realizar a remoção do útero através da vagina, todavia, para que esse procedimento seja possível é feita a separação do órgão (útero) dos outros. O pós-operatório é menos desconfortável e a recuperação é bem mais rápida. Entretanto, caso o órgão esteja com o tamanho acima do normal essa técnica não é possível de ser realizada.

Laparoscópica

É feito o morcelamento (corte em pedaços menores) do útero para que possa passar pelo canal vaginal, essa técnica é possível, pois são realizados pequenas incisuras na região abdominal com o auxílio de uma instrumentalização longa e estreita. Ela perpassa a incisão, sendo possível então o manejamento com o apoio de uma câmera que está acoplada a um telescópio.

Robótica

É um procedimento que é realizado por intermédio de um equipamento 3D, que disponibiliza braços robóticos para realizar a cirurgia. O especialista acompanha todo o processo através de um monitor. O que diferencia a Robótica da laparoscópica é que uma é realizada por um ser humano e a outra por um robô.

Abdominal

Para os casos em que o útero está com um volume demasiadamente desproporcional, é feita uma incisão vertical ou horizontal no abdômen, parecido com uma cesárea. Apesar de ser mais desconfortável e o pós-operatório mais moroso, em alguns casos esse procedimento é o mais indicado.

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Tipos e técnicas da aplicação da histerectomia.

Pós-histerectomia

O processo de recuperação pós-cirúrgico dependerá muito da técnica que foi aplicada. Quem irá determinar os prazos, bem como, o fim do repouso será o médico. Todavia, alguns cuidados após a cirurgia são importantes. Veja os cuidados que são recomendados:

Limpeza dos ferimentos

É de suma importância a frequência e os cuidados com os curativos para que não ocorram inflamações, bem como, infecções. Obtenha da enfermagem todas as informações necessárias para manter a higienização do local.

Relação sexual

Algumas atividades podem prejudicar a cicatrização da cirurgia, portanto, a relação sexual deve ser evitada no período da recuperação. O seu médico é a pessoa mais indicada para lhe informar o momento que você pode ativar a sua vida sexual.

Esforço físico

É sabido que o esforço físico deve ser evitado completamente no período de cicatrização, entretanto, é importante realizar pequenas caminhadas pela casa, para evitar uma possível trombose, bem como, potencializar o processo de melhoria.

Possíveis efeitos colaterais

A histerectomia ocasiona algumas repostas orgânicas e/ou psicomentais negativas. O fato de realizar a remoção de um órgão que pode impedir a geração de um filho, pode eliciar muito sofrimento mental, bem como, nos casos em que ocorre a retirada dos ovários, uma disfunção hormonal será desencadeada. Veja a seguir os possíveis efeitos colaterais pós-cirúrgico:

Acompanhamento por um psicólogo

Quando a pessoa é encaminhada para realizar uma histerectomia, o médico deveria também solicitar o suporte de um psicólogo, para que tenha um acolhimento e preparo emocional para lidar com a cirurgia, assim como, com o processo de perda (luto).  Esse tipo de procedimento pode afetar muito a vida de quem passa por essa situação, e estar minimamente preparada ou amparada para enfrentar “o novo” e o desconhecido é fundamental.

Por não ser uma doença é possível se falar em prevenção?

É possível falarmos de prevenção de uma histerectomia? É possível sim! Mesmo sabendo que não é uma doença, quando passamos a cuidar da nossa saúde estamos prevenindo que algumas mazelas apareçam em nossos corpos, logo, estamos prevenindo também, que no futuro façamos um procedimento cirúrgico. Portanto, prevenir os fatores que poderão levar a uma histerectomia é viável. Não deixe de:

Todavia, fatalidades acontecem e talvez você seja direcionada para realizar uma histerectomia, nesses casos, mantenha a lucidez, para poder ter o discernimento e decidir junto com o seu médico no que é melhor para a sua saúde.

Em busca de mais qualidade de vida

Pessoas histerectomizadas podem recuperar a qualidade de vida e a vitalidade, basta querer. Algumas ressignificações na vida serão fundamentais, entretanto, é importante estimular a resiliência. Será fácil? Não será, entretanto, busque elementos que façam você mulher sair forte dessa experiência.

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Gostou? Você já fez histerectomia? Conte-nos como foi a sua experiência. Participe!

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6 COMENTÁRIOS

    • Olá Marileide! Esse inchaço pode acontecer com algumas mulheres sim. Tudo porque o organismo de cada pessoa é diferente para a recuperação de uma cirurgia tão invasiva como a histerectomia. Caso persista, fale com seu médico o quanto antes. Torcemos para sua melhora completa! Abraços – Equipe Saudável e Feliz

  1. Fiz uma histerectomia abdominal há 34 dias. Não sinto dores fortes, já voltei ao trabalho mas sinto um desconforto na região da cirurgia. A barriga inchada, endurecida e um pouco dormente. Isso é normal?

    • Olá Cyntia! Aparentemente não é normal. Talvez sejam sinais de uma cicatrização complicada, é importante retornar ao médico cirurgião que fez o procedimento, para avaliar as condições do pós-operatório. Desejamos melhoras – Equipe Saudável e Feliz

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