Endometriose atinge cerca de 10 milhões de mulheres no Brasil

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De acordo com a ONU, a endometriose é uma doença que atinge por volta 176 milhões de mulheres no mundo, e no Brasil, cerca de 10 milhões.

Entendendo a endometriose

O endométrio é o tecido que reveste a camada interna uterina. No período fértil, os hormônios estimulam que esta estrutura fique mais grossa, para a fecundação. Se a gravidez não ocorre, o endométrio descama e sangra, causando a menstruação.

Em alguns casos de endometriose, o endométrio cresce de forma anormal e o fluxo não é eliminado totalmente na menstruação, assim, ele volta pelas trompas, e as células que deveriam permanecer no útero, acabam migrando para os ovários, intestino, trompas, bexiga, etc. Quando elas saem do lugar, desencadeiam inflamações, e a mulher consequentemente sente dores.

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Ilustração por: A Gazeta do Povo

“É importante ressaltar que a relação entre o câncer e a endometriose é pequena, em torno de 0,5% a 1% dos casos. Apesar de não caracterizar uma doença maligna, a endometriose se comporta de modo parecido, no sentido de que as células crescem fora de seu lugar habitual. Embora, na maioria das vezes, esse crescimento não tenha consequências letais, acaba provocando muitos incômodos”

— Dr. Joji Ueno

Principais sintomas da endometriose

De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, as mulheres mais atingidas estão na faixa de 19 a 60 anos, e sentem principalmente:

  1. cólica menstrual;
  2. dor na profundidade da vagina, durante a relação sexual;
  3. infertilidade;
  4. retenção de líquido;
  5. mudanças intestinais no período menstrual, quando a endometriose envolve a região, podendo ter diarreia, intestino preso e sangramento na região do ânus;
  6. mudanças na bexiga e nas vias urinárias, na época da menstruação, em casos em que a endometriose envolve o aparelho urinário, podendo ter sangramentos na urina;
  7. dor contínua, independente de menstruação, principalmente em casos de endometriose avançada, com quantidade elevada de aderência nos órgãos pélvicos.

Um estudo feito no Brasil, em 2008, exibido no Congresso de Endometriose, mostrou que o tempo entre o começo dos sintomas e o diagnóstico é de aproximadamente 7 anos. Quando a queixa se desencadeia na adolescência, esse intervalo pode aumentar para 12 anos.

Quem tem endometriose pode engravidar?

Essa é uma das principais dúvidas das pessoas acometidas pela doença. O relacionamento entre infertilidade e endometriose é direto, pois, quando o endométrio inicia seu crescimento em locais como ovário e trompas, a inflamação decorrente disso gera uma cicatrização espontânea, o que causa mudanças anatômicas (formato), impedindo o funcionamento pleno dos órgãos responsáveis pela fecundação.

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As chances de gravidez vão depender de uma combinação de fatores, como o nível da endometriose, a situação das trompas e a idade da mulher. Se já passou dos 35 anos, a probabilidade de engravidar cai bastante, e poderá ser indicado o encaminhamento para um Centro de Reprodução Humana, já que alternativa mais eficaz para a mulher que possui a doença e deseja ficar grávida é a fertilização in vitro. Para as mais jovens, estima-se que o índice de ser bem sucedido (inclusive de modo espontâneo) chega a 65%.

Endometriose tem cura?

Esta doença não tem cura, mas possui dois tipos de tratamentos, que podem ser usados para combater as dores da endometriose, diminuir as lesões e possibilitar a gravidez, que são respectivamente medicamentos ou cirurgia.

Cada um deles tem suas singularidades, cabendo ao ginecologista avaliar a intensidade da doença em cada caso e recomendar o melhor tratamento, assim, os dois podem ser feitos de forma independente ou de maneira integrada.

Endometriose e o tratamento cirúrgico

Nesse método, a endometriose é retirada por meio da cirurgia de laparoscopia. Em algumas situações, é possível retirar apenas os focos da doença ou as complicações trazidas por ela, como por exemplo os cistos. Já em casos mais sérios, o procedimento pode envolver a retirada dos órgãos pélvicos afetados pela doença. Dependendo das condições, é possível recorrer ao tratamento de laparoscopia com laser.

Outro método cirúrgico é a videolaparoscopia, na qual fará o diagnostico da quantidade de lesões, aderências, a obstrução tubária e já tratar a patologia.

Tratamento com medicamentos

Existe um grande número de remédios disponíveis no mercado para tratá-la, sendo eles: analgésicos, anti-inflamatórios, análogos de GNRH (hormônio liberador de gonadotrofina), Dienogeste (fármaco composto por progestina, que possui efeitos semelhantes ao da progesterona) e Danazol (medicação à base de etisterona, um esteroide sintético). Atualmente também é possível diminuir os sintomas utilizando o DIU (Dispositivo Intra-Uterino) com levonorgestrel.

Você sofre ou já sofreu com a endometriose? Como foi o tratamento? Conte-nos aqui no Saudável e Feliz!

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