Adoção: um acolhimento responsável, um ato de amor

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Um ato de amor e carinho que pode fazer toda a diferença, todavia, precisa ser uma decisão lúcida e madura.

É muito comum as pessoas relatarem o desejo de adotar uma criança, todavia, será que realmente elas possuem a real noção desse ato? A adoção quase sempre é apenas idealizada romanticamente, e é esquecido o quanto essa atitude precisa ser consciente e acima de tudo responsável! Decidir por acolher uma criança ou um adolescente não é como entrar em um supermercado e optar por um produto A, ao invés de um produto B. É assumir todos os cuidados necessários e fundamentais para com o menor. É supri-lo das necessidades que foram pouco suplantadas ou negligenciadas em sua vida.

É uma atitude que deve ser respaldada pelo excesso de afeto e não pela falta dele. A adoção no Brasil além de ser caracterizada pela morosidade nos processos adotivos, também é marcada por um discrepante desencontro entre o desejo e a realidade. O adotante quase sempre é impulsionado por um desejo irreal, é idealizada uma criança que não estará cadastrada na lista do CNJ (Cadastro Nacional de Adoção), ela simplesmente não existe! É projetada a idade, cor e sexo da criança acreditando-se que ela será fabricada a partir dessas informações, todavia, essa atitude é um equivoco! Pois, as crianças já possuem suas características e minimamente já possuem as suas experiências (quase sempre negativas) de vida.

“Incompatibilidade difícil de ser suplantada é, na verdade, o fato de que apenas um em cada quatro pretendentes (25,63%) admite adotar crianças com quatro anos ou mais, enquanto apenas 4,1% dos que estão no cadastro do CNJ à espera de uma família têm menos de 4 anos. Em 13 de março deste ano, eram apenas 277 em um universo de 5.465. Por isso, cada dia que passam os abrigos afasta as crianças ainda mais da chance de encontrar um novo lar. Tanto que é inferior a 1% o índice de pessoas prontas a adotar adolescentes (acima de 11 anos), que por sua vez respondem por dois terços do total de cadastrados pelo CNJ.”

-Jornal em discussão, Senado Federal.

Outro agravante que impede a adoção de inúmeras crianças é que os pretendentes não estão dispostos “não projetaram” a adoção de irmãos. Um empecilho vinculado ao reflexo das pessoas que decidem pela adoção partindo de um pressuposto idealizador (meu filho recém-nascido) frente a uma realidade que destoa completamente (famílias numerosas vulneráveis e crianças na segunda infância).

“Outro fator que costuma ser sério entrave à saída de crianças e adolescentes das instituições de acolhimento, de acordo com as estatísticas do CNJ, é a baixa disposição dos pretendentes (17,51%) para adotar mais de uma criança ao mesmo tempo, ou para receber irmãos (18,98%). Entre os aptos à adoção do CNA, 76,87% possuem irmãos e a metade desses tem irmãos também à espera de uma família na listagem nacional. Como os juizados de infância e adolescência dificilmente decidem pela separação de irmãos que foram destituídos das famílias biológicas, as chances de um par (ou número maior) de irmãos acharem um novo lar é muito pequena.”

Jornal em discussão, Senado Federal.

Os motivos para adotar uma criança

O desejo adotivo de maneira nenhuma deve partir de uma vontade de suprir uma falta eminente, por exemplo: A morte de um filho biológico. A criança ou o adolescente é um sujeito único com seus próprios sonhos e ele não irá ocupar de forma alguma um espaço vazio. Dentre as inúmeras motivações que levam uma pessoa decidir pela adoção, destacam-se os motivos abaixo:

  • Solidão;
  • Companhia para o filho único;
  • Incapacidade de ter filhos biológicos;
  • Falecimento de um filho;
  • Possibilidade de escolha do sexo;
  • Satisfazer o desejo de ser mãe/ou pai.
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Os dilemas e os desafios da adoção.

Vale ressaltar que o adotante irá passar por avaliações psicológicas e sociais, e que a motivação da adoção será minuciosamente analisada, pois é um fator decisivo para liberar ou não o laudo.

É de suma importância ter o discernimento de que a adoção não irá propagar uma melhora do sofrimento que está respaldado pelo luto (morte do filho, tentar fortalecer os laços conjugais, solidão e infertilidade), a motivação mais coerente é adotar com o propósito de proporcionar acolhimento para quem não pode obter por algum fator.

Acreditar que a adoção irá suprir uma falta sua, é o maior determinador de devolução de crianças, pois após algumas semanas é percebido que ela não será capaz de preencher uma lacuna já pré-estabelecida – e é quando ocorre a segunda maior negligência para com os menores!

A devolução de crianças adotadas

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) determina um período de adaptação com o objetivo de avaliar a compatibilidade entre as partes envolvidas, pois alguns tipos de motivações de adoção podem acarretar em arrependimento e como consequência a devolução da criança.

“Em qualquer processo de adoção os pais precisam ter maturidade suficiente, aliás, a vida deles se adequará a uma criança assim como esta se adequará gradativamente a eles. No entanto, os pais que se dispõem a adotar crianças que por mais de uma vez passaram pelo trauma da devolução, necessitam de uma ajuda ainda maior, carecem de apoio dos profissionais que acompanham o processo e precisam saber desde o início que neste caso a aproximação pode ser mais difícil e turbulenta.”

Steffi de Castro, Psicóloga.  

A devolução é algo muito crítico e grave! Pois, reforça para a criança a sua sina de ser abandonada. Ela passa a acreditar que é a única responsável pelo seu abandono. Esse pensamento gera muita ansiedade e tristeza, e pode fazer que esse menor repudie os próximos processos adotivos ou se comporte de maneira desesperada e aflitiva na presença de novos pretendentes.

“A devolução chama muito mais nossa atenção porque se constitui como uma experiência que reedita o abandono. É desse ângulo que se enfatiza que as consequências para a criança podem ser intensificadas em relação aos seus sentimentos de rejeição, abandono e desamparo”

Maria Luiza Ghirardi, Mestre em psicologia escolar e do desenvolvimento.  

O acolhimento responsável e seguro

O processo de adoção conforme já foi informado na matéria, precisa ser uma ação lúcida. É necessário realizar uma reflexão de como a vida será remodulada para acolher esse novo integrante. Os desafios no processo de educação e aprendizagem irão surgir, pois eles são naturais no desenvolvimento do ser humano. Talvez recorrer ao suporte de uma terapia breve seja bem produtivo, para que se tenha clareza no verdadeiro motivo pelo qual se deseja adotar uma criança.

Conversar com os familiares também é fundamental, pois eles serão peças importantes na adaptação do adotado. A família  pode trazer alguns questionamentos que farão o pretendente refletir sobre essa vontade de adotar e adquirir consciência para confirmar o desejo ou não.

A busca por palestras e encontros que debatem o tema adoção também podem ser enriquecedoras, pois podem proporcionar subsídios para a tomada de decisão.

Portanto, a pessoa que tem o desejo de adotar necessita extremamente estar disposta a ofertar amor, cuidado e amparo para com a criança. É necessário ter a ciência que a individualidade do infanto precisa ser respeitada e preservada.

O adotante que abre os abraços e aceita ser escolhido, sem pensar em idade, sexo e na cor, o coração tende a acolher profundamente fazendo com que os laços sanguíneos sejam apenas um fator sem relevância, pois o amor é muito mais forte, puro e genuíno como a relação entre pais e filhos deve ser!

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